Desligamentos de Média Tensão – Procedimentos

Desligamentos de Média Tensão – Procedimentos

As rotinas de trabalho são necessárias para estabelecer as regras, técnicas, critérios e procedimentos de trabalhos que envolvam eletricidade, de forma a proteger os funcionários contra exposição a descarga ou choques elétricos, em cumprimento as exigências da Norma Regulamentadora nº 10 (NR-10).

Todo trabalho respeita uma rotina relacionada a sequencia de atividades realizadas afim de se atingir um objetivo, podendo ser realizado de diversas maneiras, sendo estas executadas de modo seguro ou não. É por este motivo que a NR-10 estabelece alguns itens para que a atividade seja realizada com segurança.
A desenergização é considerada uma medida de proteção coletiva prioritária pela NR-10, de acordo com o item 10.2.8.2, pois permite controlar o risco elétrico, afim de garantir a segurança e a saúde do trabalhador.
Mas quem pode executar uma desenergização em média tensão (ou alta tensão conforme notação da NR10)?
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* A NR10 considera Alta Tensão acima de 1kV em corrente alternada. Apesar da NBR14039 usar o termo média tensão, vamos seguir a notação na NR10.

Desligamento em Média Tensão, quem pode executar?
Para isto recorremos à NR10 e NBR14039.
Podemos considerar que a operação de disjuntores e secionadoras de média tensão energizados são trabalhos envolvendo Alta Tensão e devem, portanto, seguir as prescrições do Item 10.7 da NR10 (Trabalhos Envolvendo Alta Tensão). Para que os itens listados em 10.7 sejam atendidos, precisamos que o profissional:
1- Tenha curso SEP (NR-10 complementar);
2- Esteja acompanhado de mais um profissional;
3- Ser um profissional autorizado formalmente pela empresa a trabalhar em instalações energizadas AT;
Para o profissional ser autorizado, conforme NR10:
São considerados autorizados os trabalhadores qualificados ou capacitados e os profissionais habilitados, com anuência formal da empresa. 
Lembrando que um profissional capacitado deve trabalhar sob responsabilidade de um profissional habilitado (com CREA).
Instalação de Média Tensão
A NBR14039 também faz recomendações com relação ao profissional que pode trabalhar em AT. No capítulo 8 (Manutenção e Operação) temos:
1- Qualquer manobra, programada ou de emergência, deve ser efetuada somente com a autorização de pessoa Qualificada BA5, conforme tabela 12;
2- Qualquer manobra deve ser efetuada por no mínimo duas pessoas, sendo que uma delas deve ser BA5.
Tabela 12 NBR14039
Temos que o profissional BA5 é o Qualificado (Engenheiros ou Técnicos).
Somando as duas normas (NR-10 – lei! e as recomendações da NBR14039) temos que o profissional que pode executar o desligamento e religamento de circuitos de AT deve ser Habilitado e Autorizado, se considerarmos que o Engenheiro e o Técnico são registrados no CREA. Sem registro no CREA, os profissionais são considerados somente Qualificados.
Já tivemos experiências em algumas empresas que a pessoa que normalmente realizava o religamento do disjuntor de MT era o vigia ou uma pessoa considerada BA-1 pela NBR14039 (pessoas inadvertidas). Ainda é raro nas empresas, encontrar um Engenheiro ou Técnico formalmente autorizado a realizar as operações de alta tensão.
Uma solução para estes casos é a realização de um contrato com um empresa especializada em alta tensão, a qual possua os EPIs, EPCs e os profissionais adequados para realizarem estas intervenções.
Agora que já sabemos quem pode operar os circuitos, vamos aos procedimentos:
1- Seccionar  o  circuito de forma visível e efetiva, todas as possíveis fontes, mediante   uso   de   seccionadores,  interruptores seccionadores,  ou  outros meios (Seccionamento).
Comentário: O seccionamento é a abertura de um dispositivo de manobra  mecânico que na posição aberta assegura uma distância de isolamento entre os contatos abertos. Deve ser visível e efetivo.
Desligamento e posterior secionamento
2- Intertravamento ou bloqueio dos equipamentos que  realizarão a interrupção  visível  ou  efetiva, e a sinalização no comando  dos mesmos (Impedimento de reenergização).
Comentário: O Objetivo desta regra é garantir que não  ocorrerão fechamentos intempestivos dos dispositivos, seja por falha técnica, erro humano ou causa imprevistas, utilizando para tanto bloqueio mecânico,  com  a aplicação  de  cadeados,  bloqueio  elétrico, bloqueio pneumático,  bloqueio  físico  de  contatos. Deve-se também instalar nos comandos desses equipamentos, cartazes, placas que identifiquem a proibição de manobras.
Intertravamento mecânico – KIRK
3- Comprovação de ausência de tensão (Constatação de ausência de tensão).
Comentário: A verificação de ausência de  tensão  deve  ser feita no local onde se vai realizar o trabalho e em todos os pontos onde foram abertas as fontes de tensão (chaves). Esta comprovação deve ser efetuada sempre sob o pressuposto de que não existe tensão. Para tanto, deve-se tomar as seguintes precauções:
  • usar todos os equipamentos de proteção adequados;
  • manter as distâncias de segurança;
  • comprovar a ausência de tensão em todos os condutores e equipamentos.
  • por razões de segurança, considerar todo o equipamento ou condutor energizado, enquanto não se demonstre o contrário;
  • testar o detector de tensão em algum condutor energizado nas redondezas.
Detector de Alta Tensão
4- Prover o aterramento e curto-circuito de todas as possíveis fontes de tensão (Instalação de aterramento temporário com equipotencialização dos condutores dos circuitos). 
Comentário: Diz-se que uma instalação elétrica está aterrada quando está diretamente conectada à terra mediante elementos condutores, contínuos, sem soldas nem conectores. Diz-se que uma instalação elétrica está em curto-circuito quando todos os seus elementos estão diretamente unidos (conectados) entre si por condutores de resistência (impedância) desprezível. Essa conexão a terra e em curto-circuito é considerada uma operação conjunta, pois se realiza no mesmo equipamento. Em consequência, todos estes elementos curto-circuitados estão equipotencializados.
Conjunto de Aterramento – O conjunto tem que ser dimensionado para suportar as correntes de CC do ponto
5- Colocar as sinalizações de segurança adequadas, delimitando a zona de trabalho (Proteção dos elementos energizados existentes na zona controlada).
Comentário: Consiste em sinalizar e delimitar a zona de trabalho ou zona de perigo (zona com tensão), com os seguintes elementos: sinais (placas, cartazes, adesivos, bandeirolas, etc) de cores e formas normalizadas, e com desenhos, frases ou símbolos com a mensagem de prevenção de acidentes.
Os elementos empregados na delimitação devem ser fluorescentes, e para os trabalhos noturnos, devem ser complementados com luzes autônomas e intermitentes, com sinal de atenção.
Sinalizações
Para a realização destes procedimentos são necessários alguns EPIs e EPCs. São eles:
1- Roupa compatível o nível de arco elétrico determinado naquele ponto, inclusive com balaclava e protetor facial;
2- Luvas isolante classe 2 17kV;
3- Aterramento temporário compatível com o nível de curto-curcuito do ponto;
4- Detector de tensão MT;
5- Bota isolante;
6- Utilizar preferencialmente tapete isolante;
7- Capacete classe B.
Lembrando que estes EPIs e EPCs devem ser testados anualmente conforme item 10.7.8 da NR10.
Lembre-se, desligamentos de instalações MT devem ser sempre realizados por profissionais experientes, com treinamento, autorização e habilitação.
Boa manutenção!
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8 Comments
  • Marcelo De Araujo
    Posted at 23:49h, 02 fevereiro Responder

    Muito bom! É sempre muito importante relembrarmos alguns pontos.

  • Marco Tavares
    Posted at 18:46h, 03 fevereiro Responder

    Parabéns, este assunto é de suma importância para as equipes de atendimento e manutenção de empresas e centros comerciais inclusive.
    Precisamos fazer a concientixação de todos sobre a importância de profissionais treinados, habilitados, capacitados e autorizados para execução de tarefas com importâncias desta relevância.
    Obrigado pelo conteúdo deste.

  • Madson Roberto Batista Pereira
    Posted at 00:42h, 04 fevereiro Responder

    Parabéns! A titulo de contribuição, é boa politica alertar que:
    1- Todas as atividades no SEP devem ser precedidas de planejamento, observadas as normas técnicas e de segurança e executadas por pessoas qualificadas.
    2- A disciplina aos procedimentos operacionais e de segurança poderá ser a diferença entre a vida e a morte por acidente dos colaboradores.

  • Elcy Bighetti
    Posted at 00:58h, 05 fevereiro Responder

    Muito bom, na empresa em que trabalho, isto já é feito e documentado, assinado por todos o colaboradores envolvidos no processo, e graças as Deus em 20 anos nunca presenciei um acidente fatal, isto prova que estes procedimentos realmente funcionam.

  • Danilo Rezende
    Posted at 23:11h, 05 fevereiro Responder

    Parabéns!!! Assunto muito importante.

  • Alexander Anderson
    Posted at 20:16h, 06 fevereiro Responder

    Muito bom, e ótimo para servi como DDS entes das atividades.

  • Sérgio Mota
    Posted at 13:56h, 06 maio Responder

    Perfeito posicionamento com relação à segurança. Parabéns aos elaboradores.

  • João Carlos
    Posted at 23:42h, 06 maio Responder

    Vale lembrar também que, vários profissionais ainda realizam o procedimento de aterramento temporário da maneira incorreta, achando que o simples fato de não existir presença de tensão verificando com o detector, conectam primeiro o aterramento nas fases e depois para terra, péssimo hábito que pode ocorrer uma descarga elétrica por indução.

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